Márcia Fernandes
Professora de Língua Portuguesa e Literatura
O Dia da Favela é celebrado em 4 de novembro e homenageia as comunidades que fazem parte da história, da cultura e da identidade brasileira. A data chama a atenção para desafios como a desigualdade social, a falta de infraestrutura e o acesso a direitos básicos.
Origem do Dia da Favela
A escolha do dia 4 de novembro está relacionada a um registro histórico de 1900. Nessa data, o delegado Enéas Galvão, da 10ª Circunscrição do Rio de Janeiro, escreveu um documento ao chefe de polícia da cidade mencionando o termo "favela" em referência ao Morro da Providência.
Esse registro é considerado a primeira referência oficial documentada à palavra para identificar uma comunidade desse tipo no Brasil.
A celebração ganhou força por meio de movimentos sociais e organizações que trabalham pela valorização das favelas e pelo reconhecimento dos direitos de seus moradores. A data também foi incluída nos calendários oficiais de algumas localidades, como o município do Rio de Janeiro, o estado de Minas Gerais e o município de São Paulo.
Como surgiu a primeira favela brasileira?
A história das favelas brasileiras está ligada ao processo de urbanização e às desigualdades no acesso à moradia.
O Morro da Providência, localizado na região central do Rio de Janeiro, é frequentemente apontado como a primeira favela do Brasil. Sua ocupação ganhou destaque no final do século XIX, quando diferentes grupos de trabalhadores e pessoas em busca de moradia passaram a viver na região.
Uma das explicações mais conhecidas para a origem do nome "favela" está relacionada à Guerra de Canudos (1896–1897), ocorrida no interior da Bahia. Na região do conflito existia um morro chamado Favella, cujo nome estaria associado a uma planta conhecida como faveleira.
Segundo a narrativa tradicional, soldados que retornaram de Canudos foram morar no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, e passaram a utilizar o mesmo nome em referência ao local onde haviam combatido.
A história da ocupação, entretanto, é mais complexa. Pesquisas históricas indicam que o Morro da Providência já era habitado por trabalhadores de baixa renda antes do retorno dos soldados de Canudos. Por isso, a associação com a guerra é uma parte importante da explicação tradicional, mas não representa toda a história da formação da comunidade.
Essa trajetória revela como as favelas surgiram em meio às transformações das cidades brasileiras e à dificuldade de acesso à moradia para diferentes grupos da população.

O que é uma favela?
As favelas são territórios populares que surgem de diferentes formas de organização e ocupação do espaço urbano, geralmente diante da insuficiência de políticas públicas e de oportunidades adequadas de acesso à moradia.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) utiliza atualmente a denominação Favelas e Comunidades Urbanas para identificar esses territórios. A definição considera características como a insegurança jurídica da posse dos imóveis, a oferta incompleta de serviços públicos e a presença de formas próprias de organização comunitária.
Esses espaços não são todos iguais. Cada favela possui sua própria história, localização, estrutura, cultura e características sociais.
Além disso, a palavra "favela" é utilizada em diferentes regiões do Brasil, enquanto outros territórios populares recebem nomes como comunidades, quebradas, grotas, baixadas, ocupações e vilas.
Segundo o IBGE, esses territórios também se caracterizam pelas relações de vizinhança, pelo uso compartilhado de espaços e pelo engajamento comunitário, elementos que contribuem para a formação de identidades coletivas.
Quantas pessoas vivem em favelas no Brasil?
As favelas e comunidades urbanas fazem parte da realidade de milhões de brasileiros.
De acordo com o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo IBGE, o Brasil tinha 12.348 Favelas e Comunidades Urbanas, distribuídas por 656 municípios. Nesses territórios viviam aproximadamente 16,4 milhões de pessoas, o equivalente a 8,1% da população brasileira naquele ano.
Os dados mostram a dimensão dessas comunidades e a importância de garantir condições adequadas de moradia, saneamento, transporte, saúde, educação e segurança.
O levantamento também permite conhecer melhor as características da população e dos domicílios, contribuindo para o planejamento de políticas públicas voltadas às necessidades desses territórios.
Professora, produz conteúdos educativos desde 2015. Licenciada em Letras pela Universidade Católica de Santos (habilitação para Ensino Fundamental II e Ensino Médio) e formada no Curso de Magistério (habilitação para Educação Infantil e Ensino Fundamental I).