Desde criança ouvimos falar do Papai Noel. Entretanto, o bom velhinho, que entra pela chaminé e deixa presentes na árvore de Natal, nem sempre teve a aparência que conhecemos hoje. Existem muitas lendas e tradições de povos antigos que levaram à construção da imagem do Papai Noel.

Descubra aqui como surgiu esse símbolo do Natal e sua história em diferentes culturas.

evolução do papai noel

História do Bispo São Nicolau

A figura do Papai Noel surgiu a partir do bispo São Nicolau de Mira, que viveu na região hoje chamada de Turquia, no século IV, ficando conhecido pela sua bondade e atenção com pessoas carentes.

Ele nasceu no final do século III, por volta de 280 d.C. e desenvolveu uma reputação de forte defensor da Igreja, quando no ano de 303 iniciou-se uma grande perseguição pelo imperador Diocleciano e os padres eram obrigados a escolher entre renunciar o cristianismo ou serem enforcados.

São Nicolau foi preso e ficou anos na prisão até que Constantino promulgou o Edito de Milão que acabou com a perseguição cristã.

São Nicolau
São Nicolau

As várias lendas que existem sobre ele o fizeram famoso por sua bondade. A história mais famosa é referente a um homem que possuía três filhas, mas não tinha dinheiro para o dote, valor pago aos noivos, para que suas filhas pudessem se casar. São Nicolau o ajudou secretamente, deixando cair pela chaminé um saco com ouro para ajudar aquela família.

Era seu costume durante a noite deixar moedas perto das chaminés dos necessitados. Também, segundo a lenda, no dia do seu aniversário, São Nicolau costumava presentear as crianças, incentivando elas a rezarem e terem bom comportamento.

Mesmo após a sua morte, em 6 de dezembro, ele continuou sendo lembrado e a ele são atribuídos milagres. Por isso, ele é considerado o protetor de órfãos, marinheiros, prisioneiros, entre outros grupos. Em muitos países, essa data é utilizada para homenagear o santo.

Para saber mais sobre essa data, leia: Dia de São Nicolau.

Como São Nicolau se tornou Papai Noel?

A partir do século 16, com a reforma Protestante, muitos santos no Norte da Europa foram se tornando impopulares. Ainda assim, muitas pessoas não esqueceram a figura de São Nicolau, principalmente na Holanda.

Com o passar do tempo, a entrega de presentes ao invés de continuar sendo feita em 6 de dezembro, passou a ser realizada no Natal, data que representa o nascimento de Jesus, tradicionalmente celebrado em 25 de dezembro

Em alguns lugares, como Áustria e Alemanha, a distribuição era feita simbolicamente pelo Cristo recém-nascido no Natal. Já no Reino Unido, difundiu-se um personagem antigo de histórias da Idade Média, o "Pai Natal" ou "Velho Natal".

Para eles, o "Velho Natal" passava nas casas pedindo ajuda durante o inverno. Aqueles que tinham compaixão do velhinho e lhe auxiliavam, tinham sua família agraciada com um bom inverno.

Com as novas colônicas estabelecidas nos Estados Unidos, o Natal passou por uma transformação no seu significado e em muitos lugares virou uma festa de rua. Porém, colonos holandeses, poetas e escritores buscaram reviver o Natal como uma festa em família e trazer de volta a imagem de São Nicolau, agora como Papai Noel.

Com o passar do tempo, o Pai Natal do Reino Unido e o Papai Noel americano se tornaram tão parecidos até que passaram a ser a mesma pessoa.

Em 1881, a revista americana Harper's Weekly publicou uma imagem criada por Thomas Nast daquilo que ao longo dos anos difundiu-se como sendo o Papai Noel.

papai noel 1881 por Thomas Nast
Representação do Papai Noel na revista Harper's Weeklys, 1881

No final do século 19, o Papai Noel foi padronizado como um velhinho de rosto alegre, gordinho e que vinha do Polo Norte, conduzindo um trenó puxado por renas e cheio de presentes.

Quando essa imagem se espalhou pelo mundo, o Papai Noel adquiriu diferentes nomes por onde passava. Por exemplo, na França ele é conhecido como Père Noël, na Grã-Bretanha como Father Christmas, nos Estados Unidos como Santa Claus e na Itália é o Babbo Natale.

Papai Noel e a Coca-Cola

A versão americana do Papai Noel se tornou popular por causa da utilização em anúncios da Coca-Cola na década de 20.

Campanhas publicitárias da Coca-Cola Company nas décadas de 30 e 40 foram fundamentais para que a imagem do Papai Noel evoluísse e chegasse ao que conhecemos hoje.

Papai Noel Coca Cola
Papai Noel para campanha publicitária da Coca Cola, por Haddon Sundblom em 1931

Em 1931, o pintor Haddon Sundblom retirou o cachimbo da imagem criada por Nast e substituiu por uma coca-cola. A criação do personagem foi baseado no poema A véspera de Natal escrito em 1823 pelo escritor americano Dr. Clement Clarke Moore.

As imagens do velhinho com uma expressão alegre, segurando uma coca-cola e entregando presentes começaram a circular em revistas populares como publicidade. 

Não deixe de ler mais um artigo relacionado com este tema: Natal: a origem que você ainda não conhece.

Poema A véspera de Natal

Conheça o poema criado por Clement Moore, também chamado de 'Uma visita de São Nicolau', que inspirou a criação da imagem do Papai Noel. 

“Era véspera de Natal, e a casa dormia
Nem mesmo um camundongo por ela se movia
As meias, na chaminé, esperavam, de leve
Que São Nicolau chegasse em breve

As crianças dormiam entre quentes cobertas
Sonhando com os doces que viriam na certa
E eu e a mamãe, de lenço e boné
Ressonávamos tranquilos, noite afora até

Que um estrondo lá fora chamasse a atenção.
Levantei-me para ver qual era a confusão.
Como um relâmpago corri para a janela
Abri as persianas, a cortina que velai

E a Lua que reluzia sobre a neve recente
Iluminava a cena como um sol nascente
E diante dos meus olhos surgiram, repentinos,
Oito renas minúsculas e um trenó pequenino

Com um velho à rédea, feliz e com pique
Logo tive a certeza de que era São Nick
Rápido como uma águia, o trenó voava
E ele, entre assobios, cada rena chamava

“Vamos Dasher, vamos Dancer, vamos Prancer e Vixen!
Vamos Comet, vamos Cupid, vamos Donner e Blitzen!
Por sobre a varanda e por sobre o telhado!
Voando, voando, por todos os lados!”

E como folhas secas ao vento do furacão
Que não respeitam barreira à sua ascensão
As renas voavam casa acima, pelo céu
Puxando o trenó, brinquedos e Noel

E depois eu ouvi, por sobre o telhado
Os cascos se movendo em tom ritmado
E quando fechei a janela e me virei para olhar
Da chaminé percebi São Nicolau saltar

Vestido de peles, dos pés à cabeça
Coberto de pó e de fuligem espessa
Ele trazia às costas brinquedos variados
Como um vendedor chegando ao mercado

Seus olhos brilhavam, e seu rosto sorria
Na face rosada o nariz reluzia
Sua boca se abriu em um sorriso breve
E a barba em seu queixo era branca como a neve

O homem trazia um cachimbo entre os dentes
E a fumaça cercava seu rosto sorridente
Seu rosto pequeno e barriga arredondada
Se moviam como gelatina quando ele dava risada!

Tão gorducho e redondo, o alegre pequenino
Que sorri sem nem notar, ao vê-lo, ladino,
Me fazer um sinal, uma leve piscada,
Indicando situação nada arriscada

E sem uma palavra ele fez seu trabalho,
Enchendo as meias, e girando no assoalho
Ergueu um dedo em sinal de despedida
E pela chaminé procurou a saída

Saltou ao trenó, com um forte assobio,
E saíram aos ares com um rodopio
Mas o ouvi exclamar, no momento final
“Meu boa noite a todos, e um feliz natal”.

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