As festas judaicas são importantes celebrações para manter viva na memória do povo a história judaica e preservar os eventos marcantes que fazem parte dela.

Pelo calendário judaico estamos no ano 5782, que vai de 7 de setembro de 2021 a 25 de setembro de 2022.

As 7 principais festas judaicas e as datas em que ocorrem no ano de 2022 são:

  1. Purim (Festa da Salvação): do pôr do sol de 16 de março até o entardecer de 17 de março.
  2. Pessach (Páscoa Judaica): do pôr do sol de 15 de abril até o entardecer de 23 de abril.
  3. Shavuot (Festa dos 10 Mandamentos): do pôr do sol de 4 de junho até o entardecer de 6 de junho.
  4. Rosh Hashanah (Ano-novo Judaico): pôr do sol de 25 de setembro até o entardecer de 27 de setembro para celebrar o ano 5783.
  5. Yom Kipur (Dia do Perdão): do pôr do sol de 4 de outubro até o entardecer de 5 de outubro.
  6. Sucot (Festa dos Tabernáculos): do pôr do sol de 9 de outubro até o entardecer de 16 de outubro.
  7. Chanucá (Festival das Luzes): do pôr do sol de 18 de dezembro até o entardecer de 26 de dezembro.

Purim

A festa que celebra a salvação do extermínio dos judeus na Pérsia antiga, onde estavam em exílio, mediada pela rainha Esther é comemorada no 14º dia do mês de Adar.

Segundo a história relacionada, o conselheiro do rei Assuero chamado Haman persuadiu a majestade para que eliminasse todos os judeus. Sua motivação era o conflito que teve com um dos membros o povo, Mordechai. O dia 13 de Adar foi a data escolhida para o genocídio no Império Persa.

A intercessão de Esther, esposa do rei, ocorreu por causa da sua descendência judaica que até então era mantida em segredo. Pelo risco que a rainha corria ao enfrentar o rei e tentar reverter a decisão, todo o povo se reuniu para um jejum de três dias e três noites. 

Ao saber que a rainha era judia e da manipulação de Haman, o rei Assuero mandou executá-lo e aos judeus concedeu o direito de prestar culto ao seu deus. A festividade de Purim, que significa sortes, trata-se de um momento alegre e de agradecimento a D'us pela misericórdia divina.

Pessach

A Páscoa Judaica dura sete ou oito dias e ocorre a partir do pôr do sol do 14º dia do mês de Nissan/Abib, primeiro mês do calendário judaico, entre os meses de março e abril no calendário gregoriano. É também conhecido como feriado da primavera.

Essa celebração recorda a libertação dos hebreus do Egito após muitos anos de escravidão. Pessach significa passar por cima e faz referência às pragas enviadas aos egípcios para afligi-los e que não atingiram os judeus. 

Sob a liderança de Moisés, os judeus realizaram o êxodo das terras egípcias em direção à terra prometida. Essa história é relembrada em um jantar tradicional de uma cerimônia religiosa, o Seder, com alguns elementos que recordam a história do povo, como cordeiro, matzot (pães asmos) e marór (erva amarga). Neste dia é proibido comer chametz (alimento fermentado).

Segundo as escrituras sagradas, no capítulo 23 e verso 15 do livro de Êxodo Deus diz: “A festa dos pães ázimos guardarás: sete dias comerás pães ázimos como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito”.

Leia também sobre a diferença entre Páscoa Judaica e Páscoa Cristã.

Shavuot

A entrega dos Dez Mandamentos por D’us a Moisés e aos israelitas no monte Sinai sete semanas após sair do Egito é celebrada na festa de Shavuot, palavra hebraica que significa semanas.

Após cerca de sete semanas, ou seja, 49 dias depois da Páscoa Judaica (Pessach), os judeus passam por um período de purificação para recebimento das leis sagradas, que foram transmitidas e ensinadas aos judeus durante os 40 anos do deserto do Sinai.

As leis são escrituras importantes do judaísmo e a festividade, também é chamada de Festa das Semanas e que ocorre entre o sexto e o sétimo de Sivan, é uma das comemorações que relembram a história do Êxodo dos judeus.

Alguns dos eventos da história do povo hebreu recordados durante a comemoração são a proteção mediante as 10 pragas enviadas sobre os egípcios, a abertura do Mar Vermelho para os judeus passarem e a peregrinação no deserto que culminou em uma revelação divina e guia para transformação espiritual.

São tradições da data a leitura dos 10 Mandamentos e do livro de Rute, além de consumo de produtos lácteos, pois o Deus dos judeus durante a saída do Egito prometeu guiá-los para uma terra que mana lei e mel.

Rosh Hashanah

O ano-novo judaico é marcado pela celebração do seu início no 1º dia do mês de Tishrei, que é o sétimo mês do calendário e ocorre geralmente entre setembro e outubro. 

O Rosh Hashanah, traduzido do hebraico como cabeça do ano, além de comemorar um novo ciclo também recorda a criação de Adão e Eva. Por isso, o sentido da comemoração reflete a criação do mundo e da humanidade, além da ligação do criador com a criatura.

A comemoração da primeira festividade judaica tem duração de dois dias para renovação espiritual, pois também se celebra o dia do julgamento e dia da lembrança. O cumprimento tradicional durante a festividade é o Shana Tova, que significa bom ano.

A festividade se baseia na passagem escrita no capítulo 23 e versos 23 a 25 do livro de Levítico: “No sétimo mês, no primeiro dia do mês, será um descanso solene para vocês, uma comemoração proclamada com o toque do shofar (trompete feito de chifres de carneiro), uma convocação santa”.

Tradicionalmente, o shofar, instrumento de sopro confeccionado com chifre de carneiro, é tocado para atrair bênçãos e proteção.

Yom Kipur

O dia do perdão, também chamado de dia da expiação ou dia do arrependimento, é celebrado no 10º dia após o Rosh Hashanah. Esse intervalo de tempo entre as duas festividades recebe o nome de Iamim Noraim (dias temíveis ou 10 dias de arrependimento) e os judeus utilizam como tempo de reflexão dos seus atos.

O Yom Kipur é o dia mais sagrado em que é realizado jejum de comida, bebida e prazeres físicos a partir da véspera da data e dura cerca de um dia, que é marcado pela ida à sinagoga e oração de perdão pelos pecados.

A celebração faz referência ao capítulo 16 do livro de Levítico, que retrata o bezerro de ouro confeccionado pelos israelitas no deserto do Sinai e a oração de Moisés pedindo perdão a D'us pelo pecado cometido pelo povo. 

“E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhum trabalho fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós.

Porque naquele dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o Senhor”. (Levítico 16:29-30)

Sucot

A festa dos tabernáculos ou festa das tendas inicia-se no 15º dia do mês de Tishrei. A comemoração relembra a peregrinação que o povo judeu realizava em direção ao Templo de Jerusalém para relembrar a trajetória de 40 anos no deserto realizada pelos ancestrais no êxodo do Egito.

Essa é uma das três festividades que relembram o Êxodo, as outras duas são Pessach e Shavuot que juntas formam “Shloshet ha Regalim”, e o período festivo também coincide com a época das colheitas em Israel, por isso esse é outro sentido atribuído à celebração.

A leitura da Torá, iniciada nas outras festividades, tem sua leitura anual concluída em Sucot. Segundo as escrituras, Moisés recebeu as instruções para celebrar esse dia. “E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias.” (Levítico 23:33-34).

Chanucá

O festival das luzes, também chamado de Chanukah ou Hanukkah cujo significado é dedicação, ocorre no 25º dia do mês de Kislev e celebra a reconquista e reinauguração do Templo Sagrado de Jerusalém no período que os israelitas resistiam contra a dominação helênica e imposição cultural do rei assírio Antíoco 4º.

A principal tradição durante a festividade é acender os ramos do chanukiyá ou chanuquiá. A cada dia da festividade, que dura oito dias, um ramo do candelabro é aceso ao entardecer.

As luzes na festividade são acesas da direita para esquerda. Um chanukiyá apresenta oito ramos de mesma altura e uma vela central e mais alta chamada de shamash, que é utilizada para acender as demais.

Saiba mais sobre o calendário judaico.