O Carnaval é comemorado sempre 47 dias antes da Páscoa, numa terça-feira.

A palavra "carnaval" tem origem do latim carnis levale, que pode ser traduzido como “adeus à carne”. Seu significado pode estar relacionado com o jejum que é feito durante a quaresma, período que tem início na quarta-feira logo a seguir à terça de Carnaval.

A festa do Carnaval surgiu na Antiguidade, entretanto, desde o seu nascimento essa festa passou por transformações pelos lugares onde chegou e evoluiu até se tornar o que conhecemos hoje.

Confira a seguir coisas que você não sabia sobre a origem e história do Carnaval no Brasil e no mundo.

1. No Carnaval da Antiga Babilônia os detentos viravam reis

Marduk

Segundo historiadores, duas festas realizadas na Antiga Babilônia podem ter originado o Carnaval.

A primeira delas é as Saceias, festejo marcado pela transformação de um prisioneiro em rei, usufruindo dos benefícios dessa posição antes de ser enforcado.

O outro rito ocorria no equinócio da primavera, como comemoração ao ano novo. A festa era utilizada para demonstrar submissão a Marduk, um deus mesopotâmico. No templo de Marduk, o rei era surrado e humilhado em frente à estátua do deus, a fim de exaltar a divindade. Após a realização da cerimônia, o rei assumia novamente o trono.

Como nesses dois festejos havia troca de papéis sociais, pode ser que a transformação das figuras durante o Carnaval tenha essa origem. Hoje isso é observado com homens se vestindo de mulher e vice-versa.

Para saber mais sobre o assunto, leia Carnaval.

2. As primeiras concentrações carnavalescas foram realizadas no Egito

carnaval no Egito

Festas pagãs oferecidas à Ísis e ao boi Ápis estão entre os festejos que se acredita estarem entre as origens do Carnaval.

Os egípcios foram os primeiros a realizar concentrações carnavalescas. Eles comemoravam o carnaval dançando e cantando em volta de fogueiras.

Fantasias e máscaras foram adotadas para que todos participassem de igual forma da festa, sem distinção de classes.

3. Servos e senhores invertiam os papéis no Carnaval romano

Saturnalia

Em um festival conhecido como Saturnália, o deus romano da agricultura Saturno era cultuado por 7 dias consecutivos.

Com banquetes públicos e rituais de sacrifício, a festa ignorava as normas sociais, ocorrendo a inversão de papéis entre servos e senhores.

O festejo marcava o início de um novo ano com expectativas para uma boa colheita, fertilidade do solo e o consequente aumento da produção.

4. O Rei Momo tem origem grega

carnaval grego

No século VII a.C. era a vez de os gregos prestarem culto ao deus Dionísio, tradição que foi oficializada por Pisístrato.

Essa festa, conhecida como bacanal, era dedicada ao deus do vinho, Baco ou Dionísio para os gregos. Os participantes embriagavam-se e se entregavam aos prazeres carnais.

A figura do Rei Momo também tem origem na mitologia grega. Esse personagem irreverente e sarcástico da Antiguidade Clássica foi expulso do Olimpo por zombar de outros deuses.

O Rei Momo foi incorporado nas comemorações gregas, cuja representação era feita por um homem gordo para simbolizar a fartura durante as festividades.

5. Como a igreja não conseguiu proibir o Carnaval, oficializou a festa

Carnaval medieval

Em 590 d.C., a igreja católica adotou a comemoração como um de seus festejos, terminando com o culto anterior.

Embora os líderes da Igreja considerassem a festa pecaminosa, a comemoração já havia se tornado tão popular, que não conseguiram proibi-la. Isso fez com que as autoridades eclesiásticas oficializassem o Carnaval.

A partir do século VIII, foi instituída a Quaresma, e o Carnaval passou a ser realizado antecedendo o período religioso para que os cristãos não cometessem excessos.

Você também pode se interessar por Quaresma.

6. Através do Carnaval de Veneza, a festa se espalhou pelo mundo

Carnaval em Veneza

No século XVIII, durante o Renascimento, nas cidades italianas os teatros improvisados tornaram-se populares, sendo chamados de commedia dell’arte

Quando chegou à Veneza, o Carnaval passou a ter as características da festa que conhecemos atualmente: máscaras, fantasias, desfiles e alegorias.

Em Roma, também começou a ser utilizado máscaras brancas, chapéus com pontas e capa com capuz negro.

Em Florença, os trionfi (carros alegóricos) eram acompanhados ao som de canções criadas para festa.

A festa ficou famosa e então começou a se espalhar pelo mundo. 

7. Baldes de água, ovos e laranjas eram as brincadeiras do Carnaval em Portugal

Os Caretos Portugal

O Carnaval em terras portuguesas iniciou-se no século XIII com uma festividade três dias antes da Quaresma.

A festa popular, também chamada de Entrudo, ocorria de forma espontânea nas ruas, onde os participantes jogavam baldes de água, ovos e laranjas entre si.

A utilização de máscaras surgiu nas comemorações a partir de 1649. Os personagens mascarados "Caretos" e "Xé-Xé" são famosos integrantes do período carnavalesco.

O primeiro baile de máscaras foi realizado em 1809 voltado para nobreza. A partir do século XIX, diversas maneiras de festejar o Carnaval começaram a se popularizar, como a batalha de flores realizada em Lisboa no ano de 1887.

Outras formas que as pessoas encontraram para se divertir nesse período foi pintando paredes, atirando objetos dentro das casas e realizando cortejos com carruagens decoradas.

Para saber mais sobre o assunto, não deixe de ler Carnaval em Portugal.

8. A primeira escola de samba foi criada em 1928

Carnaval no Brasil

O Carnaval foi trazido pelos portugueses vindos das regiões dos Açores, Ilha da Madeira e Cabo Verde. Em 1723 iniciou-se a festa no Brasil com a brincadeira de jogar água entre os foliões. O que começou no período colonial, hoje faz parte da cultura nacional.

Em 1840 foi realizado o primeiro baile de Carnaval e em 1855 organizaram-se os primeiros clubes carnavalescos, grupos parecidos com as escolas de samba que conhecemos hoje.

A primeira escola de samba foi criada no Rio de Janeiro em 1928 e seu nome era "Deixa Falar".

Compositores brasileiros tornaram-se famosos ao criarem marchinhas de Carnaval. Esse tipo de música se popularizou entre as décadas de 20 e 60, com as vozes de Chiquinha Gonzaga, com a música "Abre, Alas", e Dalva de Oliveira, cantando "Bandeira Branca".

Frevo, maracatu, cordões, ranchos e corsos também foram incorporados à manifestação cultural. 

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